terça-feira, 28 de julho de 2009

Regulamentada pela Presidencia da República a lei sobre uso dos animais


Noticiado hoje na Folha de São Paulo ( escrito por Eduardo Geraque):

"Na prática, a regulamentação da chamada Lei Arouca, que acaba de ser assinada pelo presidente Lula, institui pela primeira vez no país o controle oficial sobre a utilização de animais nas pesquisas e no ensino.

Após ficar em tramitação por 13 anos no Congresso, a legislação que organiza como será o uso de cobaias no país acabou sancionada em outubro.

O texto da regulamentação, publicado no Diário Oficial em 16 de julho, normatiza a criação do Concea (Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal).

"Este órgão central, que terá todas as informações sobre a criação e o uso de animais em laboratório, deverá ser criado em aproximadamente 30 dias", diz Marcel Frajblat, pesquisador da Universidade do Vale do Itajaí (SC) e presidente do Cobea (Colégio Brasileiro de Experimentação Animal).

Segundo o texto de regulamentação da lei, o Concea será presidido pelo ministro da Ciência e Tecnologia. Ele será formado por 14 pessoas, incluindo dois membros das sociedades protetoras de animais legalmente criadas no país.

Órgãos públicos e associações científicas, como a SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência) e a ABC (Academia Brasileira de Ciências) também terão representantes no conselho.

Toda a instituição que cria ou usa animais, seja em pesquisa ou na sala de aula, também deverá se adequar. Quem não criar ou se associar a uma comissão de ética em 90 dias ficará na ilegalidade.

Hoje, no Cobea, existem 150 comissões de ética no uso de animais cadastradas. "As universidades federais e estaduais, assim como as particulares e as diversas instituições [públicas] de pesquisa e laboratórios particulares utilizam animais. A maioria já tem sua comissão ou está criando", afirma Frajblat. Por causa da nova lei, "várias outras precisarão ser criadas", diz o pesquisador."

domingo, 26 de julho de 2009

Um breve recesso para viajar


Estamos de volta! estivemos viajando em um local de difícil acesso à internet mas com muita natureza inspiradora sobre o comportamento animal. Aproveitando que muita gente estava também viajando ou simplesmente descansando em seu lar, ficamos sem dar notícias acadêmicas e etológicas.
Agora vem bastante informação por aí.
Abraços

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Fingindo-se de morto para que o vizinho seja atacado




Alguns animais se tornam imóveis e em posição corporal que se aprece a um animal morto quando está frente a um perigo iminente. Na etologia esse comportamento é conhecido como imobilidade tônica, tanatose, catatonia, hipnose, fingir-se de morto, ou death-feigning. Existem cinco hipóteses para explicar esse comportamento:

  1. Evitar uma presa morta: fingindo-se de morto a presa comunica que pode conter patógenos ou risco de contaminação de doenças.
  2. A ocultação: quando uma presa cai de um local para outro subitamente atrapalhando a trajetória e detecção por um predador iminente.
  3. A defesa física: a posição de morto posiciona os membros e apêndices do animal de forma mais larga dificultando a predação ou deglutição do predador.
  4. A perda de interesse do predador: a presa se salva de predadores que atacam apenas presas móveis.
  5. A sinalização de alarme químico: a posição da presa em imobilidade sinaliza a sua não palatabilidade, desestimulando o predador de atacar.

Um besouro da farinha (Tribolium castaneum) é predado por uma aranha (Hasarius adansoni). Essas aranhas predam fazendo perseguição e captura da presa e ingerem somente presas recém mortas.

Um grupo de pesquisadores da Universidade de Okayama fez um experimento belíssimo publicado em um artigo que merece ser lido na íntegra, demonstrando que os besouros que ficam tonicamente imóveis se salvam excepcionalmente com maior sucesso, redirecionando o ataque da aranha predadora para outro besouro vizinho que adota uma estratégia móvel. Ou seja, parece estarmos frente a um modelo do “rebanho egoísta” teorizado por Hamilton (1971).

Leia e se delicie com esse artigo. O artigo pode ser pedido diretamente aos autores.

Miyatake et al (2009). Tonically immobilized selfish prey can survive by sacrificing others. Proceedings of The Royal Society B p. 1-5.

Email do autor: miyatake@cc.okayama-u.ac.jp