quinta-feira, 2 de julho de 2009

Fingindo-se de morto para que o vizinho seja atacado




Alguns animais se tornam imóveis e em posição corporal que se aprece a um animal morto quando está frente a um perigo iminente. Na etologia esse comportamento é conhecido como imobilidade tônica, tanatose, catatonia, hipnose, fingir-se de morto, ou death-feigning. Existem cinco hipóteses para explicar esse comportamento:

  1. Evitar uma presa morta: fingindo-se de morto a presa comunica que pode conter patógenos ou risco de contaminação de doenças.
  2. A ocultação: quando uma presa cai de um local para outro subitamente atrapalhando a trajetória e detecção por um predador iminente.
  3. A defesa física: a posição de morto posiciona os membros e apêndices do animal de forma mais larga dificultando a predação ou deglutição do predador.
  4. A perda de interesse do predador: a presa se salva de predadores que atacam apenas presas móveis.
  5. A sinalização de alarme químico: a posição da presa em imobilidade sinaliza a sua não palatabilidade, desestimulando o predador de atacar.

Um besouro da farinha (Tribolium castaneum) é predado por uma aranha (Hasarius adansoni). Essas aranhas predam fazendo perseguição e captura da presa e ingerem somente presas recém mortas.

Um grupo de pesquisadores da Universidade de Okayama fez um experimento belíssimo publicado em um artigo que merece ser lido na íntegra, demonstrando que os besouros que ficam tonicamente imóveis se salvam excepcionalmente com maior sucesso, redirecionando o ataque da aranha predadora para outro besouro vizinho que adota uma estratégia móvel. Ou seja, parece estarmos frente a um modelo do “rebanho egoísta” teorizado por Hamilton (1971).

Leia e se delicie com esse artigo. O artigo pode ser pedido diretamente aos autores.

Miyatake et al (2009). Tonically immobilized selfish prey can survive by sacrificing others. Proceedings of The Royal Society B p. 1-5.

Email do autor: miyatake@cc.okayama-u.ac.jp

3 comentários:

Biosfera disse...

Parabéns pelos textos e pelo blog.

É incrível como sempre nos surpreendemos com alguma novidade da natureza...



Abração


Visite-nos

Rita de Cássia disse...

Oi gostei desta reportagem, e gostaria de saber se alguém poderia me auxiliar com informações para um trabalho na faculdade, faço faculdade de biologia e tenho um trabalho sobre aranhas predadoras para apresentar e gostaria de informações para me auxiliar no trabalho. Abraços Rita

DEMOCH disse...

Estava há dias tentando lembrar o nome "tanatose" (que agora me parece óbvio... hehee) e caí cá em seu blog!
Ótimo trabalho!
Já enviei meu pedido ao autor requisitando uma cópia!