terça-feira, 28 de abril de 2009

Não há "gripe suína". A gripe é outra.


Há, sim, um surto de infecção por vírus influenza, de origem humana e transmitida entre humanos. Nem se sabe se é possível atingir animais, muito menos suínos. A nova gripe está sendo recomendada a se chamar de "influenza norteamericana". Essa informação foi passada pelo Prof. Dr. Vitor Picão Gonçalves, veterinário epidemiologista, professor da UnB, baseada no comunicado World Organisation for Animal Health (OIE), hoje. Apesar do texto um pouco longo para um blogue e do assunto não ser diretamente relacionado à etologia, nos sentimos no dever de informar e esclarecer. Veja infra:

"OIE position on safety of international trade of pigs and products of pig origin

Paris, April 28 - 2009 Because the current A/H1N1 related human health event has been described as swine influenza, the World Organisation for Animal Health (OIE) wishes to further clarify the facts from the animal health perspective, particularly in relation to international trade of pigs and of products of pig origin . The OIE also points out that it will continue to respond to new, incoming information as the situation evolves.
Information available to the OIE does not indicate, at this time, that the influenza outbreak currently occurring in the United States and Mexico was preceded by an outbreak of swine influenza.
Within a few days, scientific investigations that are currently under way should indicate if the virus circulating in humans is capable of infecting animal species, such as pigs, chickens and horses.
It is not correct to call the current disease ‘swine influenza'. The virus that is circulating includes genetic components of human, avian and swine origin. The OIE proposed to refer to this new virus as ‘North American influenza', using the same approach to nomenclature as used with the Asian influenza and Spanish influenza outbreaks that have occurred in the past.
Given there is no case of infection in animals confirmed in the zones where cases of human infection have been detected, it is not necessary to introduce specific measures for international trade in swine or their products nor to consider that consumers of pork products are at risk of infection.
The following update, sent to the National Delegates of the OIE's 174 Member Countries and Territories, summarises the OIE position regarding the safety of international trade in the context of the current influenza situation.
Note sent today to the OIE national Delegates from the Director General
I am writing to inform you about the current situation with A/H1N1 influenza-like human illness in Mexico and the USA . The OIE is of the view that as this virus has not, for the moment, been isolated in pigs or other animals, it is not appropriate to call it ‘swine influenza'. The OIE recommends that the virus be referred to as ‘North American influenza', in keeping with the naming of other outbreaks of influenza in the human population. Nonetheless, this emerging disease is genetically linked, amongst others, with H1N1 swine influenza and the OIE is calling for scientific research to be started with urgency to assist in clarifying the sources and the risks presented by this virus to veterinary public health and to the different animal species (pigs, poultry and horses).
Notwithstanding that this human disease is not simply swine influenza, you would be aware that swine influenza is not an OIE listed disease and there is currently no justification in the OIE Terrestrial Animal Health Standards Code for the imposition of trade measures on the importation of pigs or their products. To date there is no evidence that the virus is transmitted by food and influenza A viruses are generally not heat resistant.
In the event that the virus associated with the current human disease is shown to be circulating in animals in zones of countries that have reported human cases of infection, this should be reported to the OIE as an emerging disease. If appropriate, the OIE will develop official recommendations to prevent and control any identified risks to public health and animal health from livestock production and trade.
Please note that an importing country has the right at any time to contact an exporting country and to conduct an inspection or audit of the situation as relevant to the importation of animals or animal products (Section 5. Trade measures, import/export procedures and veterinary certification).
Please see, for information, my public statement on this issue, which may be viewed at: http://www.oie.int/eng/press/en_090427.htm .

Bernard Vallat
April 2009

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Estresse psicológico em peixes?



Ao fazer um revisão hoje, me deparei com o artigo intitulado "Psychological Stress and Welfare in Fish". Muito bom! O artigo é repleto de conceitos e faz a defesa de que peixes tem algum tipo de representação psicológica do sofrimento. O artigo de revisão foi escrito pela Profa.Leonor Galhardo e Rui Oliveira, ambos de Portugal. O Prof. Rui tem participado de vários eventos científicos no Brasil, inclusive nos Encontros Anuais. O artigo é de livre acesso na ARBS (Annual Review of Biomedical Sciences) publicado pela UNESP.Clique aqui.

domingo, 26 de abril de 2009

Sete periódicos de acesso aberto que publicam artigos em etologia


E sem taxa de publicação. São eles:
Acta Agriculturae Slovenica
Acta Endocrinologica (Bucharest)
Acta Zoologica Sinica
Animal Biodiversity and Conservation
Annual Review of Biomedical Sciences
Current Zoology
Zoological Research

Como se escreve "etologia" em chinês (Kanji)




São três formas. Belos símbolos. A meu ver o primeiro parece mais harmonioso.

sábado, 25 de abril de 2009

Notícias do XXVII Encontro de Etologia de Bonito


Boas novas! Prof. José Sabino (UNIDERP), o organizador do XXVII Encontro de Bonito, está caprichando na organização e em breve teremos notícias mais conclusivas. Como já divulgamos, será entre os dias 12 e 15 de novembro. O Encontro terá um caráter internacional com o tema principal "Darwin e Etologia".
São esperados 800 participantes. Nas próximas semanas será lançada a página eletrônica do Encontro e teremos informações mais completas. Por enquanto vamos nos preparando para esse evento inesquecível.

Aviso da Secretaria Geral da SBEt


Prezados associados,
Venho informar que estamos trabalhando para melhorar nossa sociedade, assim como nossa comunicação. Assim sendo, convido a vocês a estarem visitando nossa página www.etologiabrasil.org.br e nosso blog http://etologiabrasil.blogspot.com
Vocês também estão convidados a enviar notícias de enventos, artigos, dentre outros, para divulgarmos em nosso blog. Participem, mande sugestões, pois trabalhando juntos teremos grandes conquistas.
Aproveito para infomar que nossa conta para pagamento da anuidade mudou e os valores também, vejam as considerações abaixo.
Considerações para pagar sua anuidade
* As contribuições dos sócios são fundamentais para a manutenção dessa homepage; da Revista de Etologia; do Contador da SBEt; para o oferecimento de um aporte inicial aos organizadores dos encontros anuais; para que nosso correio funcione; dentre outras atividades;
* As nossas taxas são das mais baratas, mínimas, quando comparadas a outras sociedades. Oferecemos desconto aos associados em nossos eventos e nos da Sociedade Brasileira de Zoologia;
* Sócios devem fazer seu pagamento depositando a quantia de R$ 40,00 (quarenta reais) no caso de estudantes e de R$ 60,00 (sessenta reais) no caso de profissionais na conta da SBEt e enviar o comprovante para nosso secretáriosecretaria_sbet (arroba) yahoo.com.br.
o Banco: Caixa Econômica Federal
o Conta: 260-8
o Operação de depósito: 003
o Agência: 0584-3

Os sócios têm descontos especiais em todos os eventos da SBEt e terão acesso livre aos PDFs da Revista de Etologia.
Muito obrigado pela atenção de todos
Att.

Msc. Wilton Pereira
Secretário da Sociedade Brasileira de Etologia
Laboratório de Ecologia Comportamental e de Interações (L.E.C.I.)
Universidade Federal de Uberlândia
Campus Umuarama – Instituto de Biologia
CEP: 38400-902, Uberlândia, MG.
Bloco 2 d – sala 26
Tel.: (015) 91084131

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Empréstimo de artigos


Alguns estudantes e pesquisadores que acessam esse blog, têm dificuldade de acessar o portal da CAPES para baixar os artigos aqui comentados. Incrível, mas várias instituições de ensino superior e de ensino técnico não possuem convênio com a CAPES; ou uma rede de computadores decente para facilitar e permitir o trabalho desses esforçados e talentosos acadêmicos.
A partir de hoje nós poderemos emprestar artigos que baixamos e lemos. Poderemos enviar por email o artigo, em pdf, para que o leitor(a) leia e após, devolva o mesmo por email. Fica implícito que o pedido está condicionado à não divulgação pública e confecção de cópias, considerando alguns direitos autorais do periódico científico.
Os pedidos poderão ser feitos para a Profa. Ita Silva (tesoureira da SBEt):

ita.silva@ufv.br

Ratos representam o tempo de forma linear ou logarítimica?


O artigo publicado agora na Behavioural Processes, de autoria de Linlin Yi, estudou como os ratos previam as ocorrências de reforços positivos a partir da teoria do tempo linear. A Teoria prediz que o tempo subjetivo é uma função linear do tempo físico e o erro padrão aumenta proporcionalmente com a média e a discriminação temporal é feita por uma proporção. Se a representam for logaritimica, o tempo subjetivo será uma função logaritimica do tempo físico, a variabilidade será uma constante em escala log e a representação é feita levando em conta uma diferença.
Yi revisa brevemente e recorda que um experimento com ratos publicado em 1981 sugere uma representação linear do tempo para esses roedores. Humanos também teriam uma representação linear. Por sua vez, pombos possuem uma representação log.

E os ratos de Yi? Veja o experimento, os resultados e a discussão acessando o artigo: Yi, L (2009) Do rats represent time logarithmically or linearly? Behavioural Processes, 81: 274–279.
O acesso à BP pode se via portal dos periódicos Capes.
Caso você tenha dificuldade em conseguir o artigo, poderei emprestar o meu para devolução após a leitura; peça pelo email: vannerboere@uol.com.br

quarta-feira, 22 de abril de 2009

NOVA CONTA PARA PAGAMENTO DA ANUIDADE DA SBET

A nova conta da SBEt para pagamento da anuidade é:
Banco: Caixa Econômica Federal.
Conta: 260-8
Operação: 003
Agência: 0584-3 (Universidade Federal de Viçosa)

Sócio pergunta sobre a anuidade e participação em congresso internacional da ABS


Em 22/04/2009 11:46, Zehev Schwartz Benzaken escreveu:

Bom dia,


Gostaria de saber se minha anuidade está atrasada ou não favor informar, recomendo que esta sociedade aumente a comunicação com seus membros que no momento é praticamente zero.

Também gostaria de perguntar se a sociedade participará da conferência do Animal Behaviour Society em Pirinópolis? Espero que sim



Grato


Zehev Benzaken

Entendendo que essas questões podem ser também de outros sócios, respondemos a todos e ao Dr Zehev em particular:

Caro Dr Zehev S. Benzaken

Desde que assumimos em fevereiro do corrente ano, instituimos um blog que é atualizado quase diariamente. Esse blog foi divulgado a todos os sócios em duas mensagens em que expunhamos os objetivos: divulgar artigos com inovações, revisões, avanços em etologia, artigos de opinião (assinados), eventos, teses e dissertações defendidas ou a serem defendidas, cursos etc. O endereço do blog é:http://etologiabrasil.blogspot.com. O blog é um importante meio de comunicação por ser rápido e de grande flexibilidade. Todos os sócios (e não sócios inclusive) estão convidados a participar, enviando-nos material.

A página eletrônica continua sendo a página para atos e divulgações que exijam mais formalidade e menos urgência. Ela foi reformulada pela diretoria anterior e ficou bem mais informativa e atraente.

Recebemos em torno de 60 mensagens nos últimos três meses de sócios querendo informações etc. Com uma exceção, todas as mensagens foram respondidas em questão de horas ou em alguns casos particulares, devido a natureza da questão ou disponibilidade de web, em alguns dias.

Vamos acatar a sua recomendação. Para melhorar a comunicação, de acordo com as suas expectativas, o que poderia ser feito mais?

Em relação à participação no Congresso Internacional da ABS em Pirenópolis, um dos membros da Diretoria anterior propôs um seminário sob os auspícios da SBEt mas a proposta chegou fora do prazo e foi rejeitada. A SBEt em sua última Assembléia Ordinária, ocorrida em Poços de Caldas, não conseguiu viabilizar um projeto para participar oficialmente do Congresso Internacional da ABS, embora considere importantíssimo a participação de todos os sócios da SBEt no evento. Temos divulgado o evento em apoio aos organizadores.
Sua anuidade está sendo consultada e logo o Prof. Wilton vai responder sobre.

Estamos com uma nova proposta proativa para aumentar a participação da SBEt na academia brasileira e latino-americana.Em breve teremos novidades.
Cordialmente
Vanner Boere
Presidente

sábado, 18 de abril de 2009

Teste de temperamento em bubalinos


Os autores (sócios da SBEt) realizaram um estudo avaliando a equivalência de testes de temperamento em bovinos para bubalinos. O teste de isolamento social e o teste do tronco parecem ser os melhores. Publicado na revista Ciência Rural, de acesso livre. Veja clicando aqui.SACrdua et al., (2009)Temperamento em bubalinos: testes de mensuração. Ciência Rural, 39: 502-508.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Novo método para analisar conteúdo gástrico (alimentar) de lagartos sem sacrificá-los


O doutorando em Ecologia da UFRGS, Andre Felipe Barreto-Lima, publicou um recente método de sucção do conteúdo gástrico de lagartos, sem sacrificá-los (BARRETO-LIMA, A. F. . Gastric suction as an alternative technique in studies of lizard diets: testes for Enyalius species (Squamata, Leiosauridae). Studies on Neotropical Fauna and Environment, v. 44, p. 23-29, 2009). O método é uma iniciativa que vai preservar dezenas a centenas de animais mortos. Serve como meio indireto para determinar o comportamento alimentar (do quê se alimentam) dos lagartos. Quem sabe possamos fazer isso com outras espécies? Quem se habilita a experimentar?
Parabéns André Felipe! Seria bom termos você como sócio da SBET.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

"Behaviour accumulation curves", um novo método para estudar repertórios comportamentais


Qual o tempo ou o esforço que devo fazer para obter o repertório do comportamno de um animal? Muitas vezes passamos tempo de mais (ou de menos) para saber se o repertório de uma espécie que desejamos estudar está completo. Um método descrito nessa semana na "Animal Behaviour", por pesquisadores mexicanos e espanhóis, ajudará bastante sobre essa questão. Os cientistas adaptaram a técnica de estimativa de biodiversidade utilizada na ecologia para a etologia. O método é simples: depois de tabulados os dados apropriadamente, depende da aplicação de um programa estatístico livre (EsmimateS) e da aplicação da fórmula de Clench.
A lógica do método é que a partir e um determinado momento, quanto mais esforço se fizer para observar, menor será a obtenção de novos comportamentos. Teoricamente para se obter 100% do repertório deveríamos ter observações infinitas.
O método tem uma limitação importante: não é apropriado para se averiguar comportamentos raros. O método permite verificar melhor repertórios com posturas simples, como gestos, postura do corpo, etc. Em compensação o método permite alocar um esforço economicamente viável e planejar melhor esse esforço. Ainda permite fazer comparações do repertório de táxons diferentes mas assemelhados em seus comportamentos.
Confira usando o site da CAPES: P. A. D. Dias, et al., Behaviour accumulation curves: a method to study the completeness of behavioural
repertoires, Animal Behaviour (2009), doi:10.1016/j.anbehav.2009.02.015.


Observação: nas referencias há um arigo citado, publicado por sócios da SBEt:Pereira, W., Elpino-Campos, A., Del-Claro, K. & Machado, G. 2004. Behavioral
repertory of the Neotropical harvestman Ilhaia cuspidata (Opiliones, Gonyleptidae).
Journal of Arachnology, 32, 22–30.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Um hormônio no meio da amizade de cães e seus donos ou donas


A ocitocina, um neurohormônio principalmente secretado pela neurohipófise, era considerada uma molécula “silenciosa” até 20 anos atrás. Todo mundo sabia que esse hormônio estava envolvido com a ejeção do leite e com as contrações no parto em mamíferos. Quando se começou a observar que a ocitocina estava relacionada ao comportamento, particularmente na atratividade entre animais da mesma espécie, o interesse pela ocitocina aumentou e novas e instigantes descobertas estão sendo feitas desde então.
Quando dois animais iniciam uma relação de atração, ou quando humanos relatam que se sentem atraídos fortemente um pelo outro, a ocitocina aumenta. Manifestações de carinho como um abraço, também aumenta a ocitocina em humanos. A ocitocina está envolvida no reconhecimento emocional social e na melhor recuperação em adictos. Possue um papel extremamente benigno em humanos.
Não se sabia se a relação entre duas espécies diferentes também poderia ter o envolvimento de ocitocina. Um estudo recém publicado na Hormones & Behaviour, de um grupo de estudos japonês, analisou se a interação e o contato visual entre proprietários e cães faziam aumentar a ocitocina em humanos. Utilizando-se de um grupo de propiretários controle, em que os proprietários interagiam com seus cães durante 30 minutos, mas sem mirá-los nos olhos, e um grupo que interagia no mesmo tempo, mas mirava nos olhos dos seus cães, mostrou que esse último grupo tinha um aumento significativo na ocitocina. Parece, pois que esse hormônio também esta relacionado com a amizade entre cães e donos.
Veja o estudo no site da CAPES: Nagasawa et al (2009). Dog's gaze at its owner increases owner's urinary oxytocin during social interaction. Hormones & Behaviour, 55: 434-441.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Campos magnéticos de baixa intensidade alteram o comportamento de bovinos e cervos


Bovinos se deitam e pastam geralmente em um alinhamento no sentido norte-sul, considerando os polos magnéticos da Terra. Pesquisadores tchecos e alemães descobriram que na proximidade de campos elétricos de baixíssima intensidade (como torres de alta tensão), os bovinos e cervos perdem o seu padrão natural de orientação ao deitar e pastar, ou seja, o comportamento fica alterado. Por que? Ainda não há uma explicação clara. Qual a importância disso? destacamos duas:
1. Os campos magnéticos da Terra podem ter influencias ainda desconhecidas no comportamento em bovinos e, quiçá, em outros animais ainda pouco estudados;
2. Outros comportamentos também poderiam ser afetados por esses campos magnéticos antropogênicos ou naturais? Veja a pesquisa completa acessando o PNAS, no site da CAPES:

Burda et al. (2009).Extremely low-frequency electromagnetic fields disrupt magnetic alignment of ruminants, PNAS, 106: 5708–5713.

Pererecas fêmeas se sentem atraídas por machos que sabem cantar bem e...possuem um belo e colorido saco vocal


Todo mundo sabe que as pererecas noturnas se orientam e procuram as vocalizações de machos específicos com um potente canto, certo? Isso porque na escuridão sempre se admitiu que as pistas visuais não seriam importantes para a atração e o acasalamento.
Doris Gomez e colaboradores, do Museu Nacional de História Natural da França, publicaram um recente artigo demonstrando que a tonalidade e o brilho do saco vocal dos machos também joga um papel importante na atração das fêmeas. Sob condições noturnas eles parearam duas vocalizações idênticas (por videoplayback) e colocaram imagens de machos com diferentes tonalidades e brilho do saco vocal para as fêmeas escolherem. Elas preferiram os machos com sacos vocais em tons mais brilhantes.
Veja o artigo na CAPES:

Gomez et al (2009).The role of nocturnal vision in mate choice: females prefer conspicuous males in the European tree frog (Hyla arborea). Proc. R. Soc. B, published online 25 March 2009.

Foto de Lars Bergendorf (Hyla arborea).

domingo, 12 de abril de 2009

Campanha “Proteja seu Anjo da Guarda”


"A febre amarela é uma doença infecciosa causada por um vírus que é transmitido por mosquitos. Ela possui dois tipos: a febre amarela urbana, erradicada do Brasil por volta da década de 1960, e a febre amarela silvestre. Os vetores (agentes responsáveis pela transmissão) da forma silvestre são mosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabethes, enquanto a forma urbana pode ser transmitida pelo Aedes aegypti, o mesmo vetor da dengue.
A febre amarela silvestre já provocou a morte de algumas pessoas e de muitos bugios em uma extensa área do Rio Grande do Sul desde o final de 2008. No entanto, ao contrário da maioria das pessoas, os bugios são extremamente sensíveis à doença, morrendo em poucos dias após contraí-la. Esses macacos já estão ameaçados de extinção no Estado devido à destruição de seu hábitat natural (as florestas), à caça e ao comércio ilegal de mascotes.
Infelizmente, os bugios também estão sendo vítimas da doença e da falta de informação da população. Inúmeros relatos indicam que habitantes das regiões de ocorrência do bugio-preto e do bugio-ruivo estão matando os animais, principalmente por envenenamento, por medo do avanço da doença.
Além de tornar mais crítico o estado de conservação desses animais, essa atitude é extremamente prejudicial para o próprio homem. A morte de bugios por febre amarela alerta os órgãos de saúde locais sobre a circulação do vírus na região, os quais promovem campanhas de vacinação da população humana, como se tem observado em quase 200 municípios do Estado.
O Ministério da Saúde considera esses macacos importantes “sentinelas” da circulação do vírus. Portanto, os bugios são nossos “ANJOS DA GUARDA”! Se eles forem mortos pelo homem, descobriremos que a febre amarela chegou a determinada região apenas quando as pessoas contraírem a doença. E talvez já seja tarde para alguns (ou muitos).
Além de NÃO transmitirem à doença para o homem, os bugios NÃO são os responsáveis pelo rápido avanço da doença no Estado. Eles são as principais vítimas. As mudanças climáticas e a degradação ambiental provocadas pelo homem são as principais responsáveis pelo recente aparecimento de inúmeras doenças infecciosas no Estado. Especialistas acreditam que o avanço da doença tem sido facilitado pelo deslocamento de pessoas infectadas ou pela dispersão dos mosquitos ou outro hospedeiro ainda desconhecido.
Pergunto: Você mataria o seu anjo da guarda?"

Prof. Dr. Júlio César Bicca-Marques, PUC/RS, grupo de Pesquisa em Primatologia.

sábado, 11 de abril de 2009

Feromônios na Behavioural Brain Research está imperdível


A BBR (N. 200, 2009)em seu último número que acabou de sair traz uma série de artigos maravilhosos sobre feromônios, moléculas que medeiam o comportamento e a fisiologia de animais. Feromônios foram definidos há 50 anos atrás por Karlson e Luscher. A BBR faz um apanhado com o que há de mais avançado na área e algumas revisões. Um dos artigos desafia o "bem" estabelecido fenômeno do "efeito macho" em ovinos e caprinos. Outro artigo desafia a noção de que aves não possuem órgãos olfativos e estruturas neurais sensíveis o suficiente para que poderiam intermediar o comportamento social. Um dos artigos revisa a evolução dos feromônios. Ao todo são 10 artigos imperdíveis para quem estuda comportamento.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Uma imagem


Quanto mais pistas ambientais de predadores, mais ativa será a resposta antipredatória?


Há um consenso geral de que peixes se utilizam de pistas visuais e químicas para detectar predadores. Essas pistas se somadas e processadas poderiam aumentar a eficiência da resposta. Contudo a resposta pode depender da história de vida (memória) e prioridade de estímulos para a presa alocar atividades como se alimentar em locais onde a presença de predadores ocorreu. Veja esse interessante estudo com salmões, que a resposta a predadores não segue uma linha precisa e graduada:

Kim et al (2009). Combined effects of chemical and visual information in eliciting antipredator behaviour in juvenile Atlantic salmon Salmo salar. Journal of Fish Biology, 74: 1280–1290.

Disponível no portal da CAPES.

domingo, 5 de abril de 2009

A Revista Ciência Hoje destaca o papel dos blogues de ciências brasileiros


São vários blogues e a tendência é o crescimento no Brasil. A Revista CH destaca alguns dos principais e mais ativos, que merecem uma visita. O blog da SBEt ainda não entrou nesse ranking porque é novo e ainda devemos crescer bastante em termos de acesso e colaboração dos sócios. A reportagem pode ser lida clicando aqui.