domingo, 31 de maio de 2009

Lagarto submetido à alto nível de corticosterona aumernta a intensidade de resposta ao predador



Pela primeia vez foi publicado um estudo em que os pesquisadores administraram exogenamente corticosterona a lagartos e observaram a resposta ao encontro súbito com um predador. O estudo, publicado nessa semana na Hormones & Behaviour, testou três morfos de pequenos lagartos norte-americanos (Urosaurus ornatus, foto mais acima) quando confrontados com um outro réptil, predador característico (Crotaphytus nebrius, foto logo abaixo da primeira). Os hormônios influenciam e são influenciados pelo comportamento. Especialmente são importantes os hormônios glicocorticóides (corticosterona e cortisol) que alteram a expressão gênica das células, embora hajam indícios claros de que também ajam em interações protéicas no citoplasma. Estressores tais como a presença ou pistas de um predador são potentes estimuladores de uma resposta de defesa que ativam os glicocorticóides em todos os vertebrados. O estudo verificou que diferentes estratégias comportamentais de defesa em três morfos classificados conforme a coloração da região gular (orange, orange-blue e mottled) são preservadas. Os machos orange são mais cautelosos enquanto os machos orange-blue são mais assertivos. A corticosterona aumentada devido à colocação de emplastos dérmicos 36 h antes, fez com que a estratégia fosse mantida mas a velocidade e o tempo modificado. Por exemplo, os machos orange, se esconderam mais rápido e ficaram mais tempo escondidos quando confrontados com o lagarto predador. Interessantemente os autores salientaram que os níveis de hormônios circulantes permaneceram os mesmos comparativamente entre os morfos. Isso valeu também para a testosterona, outro hormônio testado pelos autores. A replicação desse estudo ou o uso dos seus achados em estudos futuros são muito instrutivos para quem estuda as interações entre hormônios e comportamento; ou que busca uma explicação para comportamento emocional em répteis e outros vertebrados. Presta atenção nas referências!

O estudo está no portal da CAPES ou nós emprestamos: Thaker et al (2009). Acute corticosterone elevation enhances antipredator behaviors in male tree lizard morphs. Hormones and Behavior, 56: 51-57.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Uma contribuição que muda a nossa postagem sobre etologia escrito em "chinês"


O leitor Ednei fez a seguinte colocação:
"Desculpem, mas a informação sobre os caracteres que representam “Etologia” em chinês está incorreta.
Os três hanzi (kanji é japonês!) apresentados significam juntos:



Biologia: 生物学 (sheng1 wu4 xue2).


Etologia em chinês é 动物行为学 (dong4 wu4 xing2 wei2 xue2).


动物 (dong4 wu4): animal.

行为 (xing2 wei2): comportamento.

学 (xue2): estudo.
Um abraço! "

Muito obrigado Ednei!
Já solicitamos a demissão do nosso tradutor de idiomas asiáticos! :)

The use of vertebrate model systems to study social evolution


The use of vertebrate model systems to study social evolution
15 – 18 August 2009, Adelboden, Bernese Alps, Switzerland


Invited speakers:
Prof. Nadia Aubin-Horth, Université de Montréal, Canada
Prof. Sigal Balshine, McMaster University, Canada
Prof. Tim Clutton-Brock, University of Cambridge, UK
Prof. Jan Komdeur, Rijksuniversiteit Groningen, Netherlands
Dr. David S. Richardson, University of East Anglia, UK

Summary:
To understand the evolution of complex social organization (including
structured groups, cooperation between group members, task sharing,
individualized relationships, divergent social roles) we need suitable
model systems that (1) dispose of the required complexity of social
organization, (2) allow to observe and measure relevant traits and their
fitness effects in the field, and (3) enable performance of crucial
experiments to unravel underlying ultimate and proximate mechanisms of
advanced sociality. Among vertebrates, there are a few model systems that
fulfil these criteria, like meerkats, Seychelles warblers and Lake
Tanganyika cichlids. The aim of this symposium is to provide
state-of-the-art insight into the mechanisms underlying advanced social
behaviour by bringing together experts studying respective model systems
in mammals, birds and fishes.

Structure of the symposium:
Invited speakers and other participants who wish to contribute to the
theme of the symposium will present relevant results and overviews of
the(ir) research on the respective model systems. In the discussion, we
shall emphasize the involved ultimate and proximate mechanisms and attempt
to compare them between different vertebrate taxa to understand the
importance of intrinsic differences in their biology. We shall further
discuss the pros and cons of the respective model systems to unravel
general principles of social evolution. We expect that at the end of this
symposium the participants will dispose of a good understanding of some of
the most complex and best studied model systems of social evolution.

Where and when:
The symposium will take place in Adelboden, an alpine village in the
Bernese Alps ( http://www.adelboden.ch/en/navpage-SummerAB.html ). The venue is
the high-altitude holiday resort Crea ( http://www.hotel-crea.ch/adelboden/ )
that combines the convenience of a nice setting in a breathtaking landscape with
the practical amenities of a well-proven seminar venue. It is within easy reach
by public transport from any Swiss city. For all details of the meeting and
registration please consult: http://behav.zoology.unibe.ch/index.php?pp=56&p=66

Registration until 1 July 2009 at: marlis.gerteis@iee.unibe.ch

Credits:1-2 ECTS can be obtained, depending on the contribution of the
participant Organizer: Michael Taborsky, University of Bern
( michael.taborsky@iee.unibe.ch )

Não se perca ou não perca os seus dados: o sistema GPS ameaçado para os próximos anos


Reportagem veiculada na Nature (http://www.nature.com/news/2009/090521/full/news.2009.502.html ) indica que a reposição dos 24 satélites que compõem o sistema GPS (Sistema de Posicionamento Global) levará alguns anos devido à limitação orçamentária das políticas de ciência geodésica militar dos EUA (que detém a tecnologia e o controle). Isso afetará cientistas que se utilizam desse sistema para determinar locais de seus estudos e eventos. Uma alternativa seria utilizar o sistema desenvolvido pela Rússia, o GLONASS, mas os aparelhos portáteis de GPS usados a campo, não são capazes de detectar o sinal desse sistema.Somente aparelhos mais onerosos e maiores são capazes de captar e decodificar o sinal do GLONASS. Veja na figura acima como está projetada a operação do sistema GPS nos próximos anos, se permanecer a atual politica. Os cientistas do comportamento que trabalham a campo e utilizam GPS, devem ficar atentos a essa dificuldade se não for contornada a tempo. Com a crise econômica, é possível que essa projeção esteja aquém da realidade.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Resposta à carta sobre o Qualis encaminhada ao Presidente da CAPES


27 de maio de 2009

Ilmo. Sr.

Prof. Hussam Zaher

Museu de Zoologia da USP

Prezado Sr.

Em resposta à carta encaminhada ao Presidente da CAPES, Dr. Jorge Guimarães, a respeito da classificação de revistas de Botânica e Zoologia fazemos os seguintes esclarecimentos.

Inicialmente é equivocado afirmar que as revistas nacionais foram "rebaixadas" porque o padrão de comparação não é mais o mesmo. Isto provavelmente reflete a falta de informação sobre o sistema de avaliação e também demonstra desconhecimento sobre o histórico da área. Assim, aproveitamos para informá-lo sobre o assunto em questão.

A partir de 2001 a área das Ciências Biológicas I (CBI) adotou um procedimento no sentido de valorizar revistas nacionais porque entende que elas têm um importante papel na divulgação do conhecimento científico. Sendo assim, os Coordenadores dos Programas de Pós-Graduação em 2001 das subáreas da Botânica, Zoologia, Genética, Biologia Geral e Oceanografia, indicaram um conjunto de periódicos nacionais que passaram a ser classificados como equivalentes a produtos Qualis A Internacionais. São eles: Acta Botanica Brasilica, Brazilian Archives of Biology and Technology, Brazilian Journal of Microbiology, Brazilian Journal of Oceanography, Brazilian Journal of Plant Physiology, Genetics and Molecular Biology, Genetics and Molecular Research, Inheringia (Zoologia), Pesquisa Agropecuária Brasileira, Revista Brasileira de Botânica e Rodriguesia. Vale ressaltar que naquele ano o uso do Fator de Impacto passou a ser considerado na classificação dos periódicos, portanto, as revistas nacionais, apesar de não apresentarem o índice do FI estabelecido na época, foram reconhecidas como tal. Convém ressaltar que a escolha e indicação das revistas foi feita pelos próprios Coordenadores de Programas de Pós-Graduação.

Como resultado, houve um aumento significativo no número de artigos enviados às revistas o que permitiu para muitas delas, aumento nos respectivos índices de impacto.

A CAPES vem atuando de maneira decisiva no apoio aos principais periódicos científicos nacionais, seja diretamente com recursos, seja pela divulgação via Portal de Periódicos. Em 2008 o número de periódicos brasileiros no web of science (ISI) ultrapassou a marca de 100, um crescimento de mais de 200% no período de 2002 a 2008, permitindo um aumento significativo quanto à visibilidade internacional. Isto reflete o aumento do interesse da comunidade internacional pelos conhecimentos gerados no país.

A partir de 2008 a CAPES iniciou uma classificação de periódicos baseada em nova estratificação (A1, A2, B1, B2, B3, B4, B5). A área das Ciências Biológicas I atendeu uma antiga reinvindicação dos Coordenadores dos Programas de Pós-Graduação e criou duas Câmaras chamadas de GBG (Genética e Biologia Geral) e BOZ (Botânica, Oceanografia e Zoologia). Isto deveu-se ao fato de não ser mais possível classificar as revistas dentro da área com apenas um índice de Fator de Impacto. Assim, os periódicos da câmara BOZ foram estratificados entre si sem sofrer a influência dos periódicos

da Genética e Biologia Geral, sabidamente apresentando índices de fator de impacto mais elevados.

As revistas indicadas pelos Coordenadores (vide lista acima) foram classificadas no estrato B3, ou seja, com índices de FI variando de 0,21 a 0,42, para a câmara BOZ. Entretanto, muitas das revistas nacionais foram classificadas em estratos superiores haja vista que apresentavam FI acima da faixa indicada. Portanto, a correta classificação das revistas Acta Botânica Brasilica e Revista Brasileira de Botânica (contrariamente ao informado na correspondência anterior) não é no estrato B4, mas sim no estrato B3. Todas as revistas presentes no Scielo Brasil foram estratificadas em B4, apesar de muitas delas não apresentarem fatores de impacto. Em B5 foram classificadas as revistas sem fator de impacto que não estão presentes no Scielo e que estejam vinculadas a uma Base de dados.

É importante ressaltar o esforço implementado por várias revistas científicas brasileiras na melhoria da qualidade e na busca de indexação a Bases de Dados internacionais. Como resultado os periódicos ganharam visibilidade (nacional e internacional) que refletiram em aumento nos respectivos fatores de impacto. Assim, os periódicos foram classificados em estratos superiores ao B3 (normalmente usados para as revistas indicadas). A seguir são listados vários periódicos utilizados principalmente na câmara BOZ e suas respectivas estratificações: Neotropical Ichthyology (B1), Scientia Agricola (B1), Anais da Academia Brasileira de Ciências (B1), Neotropical Entomology (B2), Revista Brasileira de Entomologia (B2), Revista Brasileira de Zoologia (B2).

Gostaríamos ainda de esclarecer que a nova proposta de classificação para o WebQualis das Ciências Biológicas I foi discutida por uma Comissão composta por Botânicos, Zoólogos e Geneticistas. A proposta foi apresentada há cerca de um ano aos Coordenadores de Programas de Pós-Graduação da área das Ciências Biológicas I em reunião realizada em Brasília e vem sendo discutida nos mais diferentes foros, portanto,

causa-nos surpresa o teor da carta uma vez que há canais apropriados para discutir assuntos desta natureza. Ressaltamos ainda que esta Coordenação, juntamente com as anteriores, coordenadas pelos Profs. João Antonio Pegas Henriques e Adalberto Val, respectivamente, sempre estiveram abertas ao diálogo com os Coordenadores, docentes e membros da comunidade científica brasileira.

Atenciosamente,

Marcio de Castro Silva Filho Egberto Moura

Coordenador da CBI Coordenador Adjunto da CBI

Bentham Open Journals


Recebemos mensagem da Bentham, um poderoso congloemrado farmacêutico e de tecnologia em medicina, nos estimulando a publicar em seus jornais de acesso aberto. Muitos dos periódicos possuem um alto impacto. A maioria dos periódicos que a Bentahm publica são direcionados para a área biomédica. Contudo, muitos de nós, etologistas brasileiros, trabalhamos em interface com essas áreas. Esse espaço editorial é mais uma oportunidade para publicação. O sistema da Bentahm é muito rápido segundo os editores. Em poucos meses o artigo é analisado e publicado, se aceito. Considerando a morosidade de grande parte dos periódicos que frequentamos, esse é um modelo interessante para ser seguido e usado como meio de divulgar nossas pesquisas.
Clique no link do logotipo da empresa acima e terás acesso á um complexo de informações dessa empresa editorial. Leia com atenção e paciência pois é muita informação.

O conceito de “Babyschema” postulado por Konrad Lorenz possui um substrato neural revelado por um estudo recente com neuroimagem


O conceito de babyschema (kindchenschema) tem sido provado do ponto de vista comportamental. Postula o eminente etologista de que características de olhos grandes, face arredondada, boca e nariz pequeno, bochechas redondas e outras características ativam comportamento de cuidado com crianças e outros filhotes em idade bem jovem. Essa propensão de cuidar de crianças ou animais com feições infantis tem uma função adaptativa do ponto de vista evolutivo. Diz-se que essa sensibilidade para faces infantis predisporia adultos mesmo que não aparentados a cuidar de crianças de um clã, de um grupo, de uma tribo. A sensibilidade estimulada por tais aspectos infantis seria a base para que determinados produtos (por exemplo, bonecos, desenhos animados, etc) sejam apreciados, desejados e comprados.

Com manipulação de imagens computadorizadas de bebês, um grupo de pesquisadores norte-americanos e alemães, identificou em mulheres que nunca haviam tido filhos, áreas cerebrais que poderiam estar mais ativadas quando eram expostas á crianças com leves mas significativas alterações da imagem, mais rechonchudo e gracioso. Quando expostos a imagens de bebês mais rechonchudos e graciosos (manipulando o tamanho e a proporção da face), os pesquisadores observaram que quatro áreas cerebrais são substancialmente mais ativadas do que outras. Essas quatro áreas (veja quais são lendo o artigo) também se relacionam ao comportamento cooperativo, altruístico e de bondade. Especialmente importante é a ativação de uma área relacionada à gratificação, ao prazer em fazer.

O babyschema , um conceito elaborado há 50 anos, encontra finalmente uma explicação neural clara, comprovando as teses de K. Lorenz .


Glocker et al. (2009) Baby schema modulates the brain reward system

in nulliparous women. PNAS. On line

terça-feira, 26 de maio de 2009

O Portal de Periódicos da Capes está dando acesso aos dados dos Journal Citation Reports


O Portal de Periódicos da Capes recentemente permite acessar os dados do Journal Citation Reports (JCR), onde é possível verificar os índices de impacto de seis mil periódicos científicos. O JCR é publicado pela Thomson Reuters por meio da plataforma ISI Web of Knowledge.

Há controvérsias sobre o índice de citação como indexador da importância de um periódico. Contudo serve para balizar aos pesquisadores onde publicar o seu artigo. O JCR é considerado um veículo dos mais importantes pelos países que mais publicam como os EUA e a Alemanha. A CAPES utiliza o JCR para verificar em parte o impacto de artigos e a concorrência entre pesquisadores. Um erro comum é classificar a produção de um pesquisador apenas pelo índice de impacto das revistas onde publicado. Não queremos aprofundar por enquanto essa discussão, mas com o termo “cientometria” o interessado poderá pesquisar muita informação na web.

Lá no site estão os índices de impacto das mais importantes revistas que publicam artigos em ciências do comportamento, segundo a classificação do JCR. Logicamente que, dos cem mil periódicos científicos do mundo, existem muitos outros periódicos que também veiculam artigos em comportamento animal, mas que não estão abrangidos pelo JCR. Inclusive tradicionais e sérios periódicos brasileiros.