sábado, 7 de abril de 2012

Agressão canina: implicações comportamentais nas vítimas



Apesar de já se conhecer bastante sobre as peculiaridades que envolvem o ataque canino (agressor, vítima e ambiente), é certo que ainda há muito que se investigar sobre os aspectos éticos, legais, educacionais, econômicos, socioculturais, emocionais e de saúde pública neste contexto. Em recente estudo realizado em Ohio, EUA, buscou-se informações acerca dos aspectos emocionais em 34 vítimas, pertencentes à parcela mais suscetível a ataques de cães: as crianças. Tanto os indivíduos atacados quanto os seus pais manifestaram, em sua grande maioria, alterações psicológicas após a agressão, dentre elas: estresse, depressão e transtornos alimentares e do sono. Tais dados nos chamam a atenção para uma situação preocupante, visto que, além das sequelas físicas e emocionais, os agredidos e suas famílias enfrentam entraves legais (por se tratarem de serviços carentes e de pouca acessibilidade) e transtornos financeiros (já que os gastos extrapolam, e muito, as demandas em saúde). Nos EUA 4,5 milhões de pessoas são mordidas por cães a cada ano e a média do gasto público com esta vítima é cerca de 50% maior do que a média para vítimas de outras injúrias. É necessário e urgente exigirmos melhorias na prestação de serviços de suporte aos agredidos, incentivarmos medidas educacionais de prevenção aos ataques, entendermos com mais profundidade as relações ‘homem-cão’, dialogarmos com pesquisadores de diversas culturas e, sobretudo, integrarmos profissionais das diferentes áreas do conhecimento na discussão deste problema, internacionalizando-o e desmistificando-o.
Comentários a partir do artigo: Boat et al., 2012. Pediatric Dog Bite Victims: A Need for a Continuum of Care.Clinical Pediatrics XX(X) 1–5. 

Postado por Clarice Silva Cesário.
07 de Abril de 2012.

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